O objetivo deste estudo é analisar o olhar que o viajante Algot Lange lança sobre uma comunidade do Alto Solimões nomeada como Remate de Males, bem como alguns de seus entornos, durante viagem realizada no ano de 1910 a essa parte da região Amazônica. Foram utilizadas como fonte para esta pesquisa bibliográfica as narrativas presentes no relato Aventuras de um Sueco nos Confins do Alto Amazonas, Incluindo uma Temporada entre Índios Canibais (2017), tradução para a Língua Portuguesa feita por Hélio Rodrigues da Rocha da obra Adventures in Remote Parts of The Upper Amazon River, Including a Sojourn Between Cannibal Indians, relato publicado em Língua Inglesa na cidade de Nova Iorque no ano de 1912. Dentre os Referenciais utilizados estão Edward Said, Renan Freitas Pinto, Homi K. Bhabha, Eni Orlandi, Neide Gondim, Michel Onfray, e outros autores. Por meio dos referenciais citados, buscou-se compreender o olhar do narrador/viajante sob a perspectiva das noções de Cultura, Atraso, Colonização e Amazonialismo em suas narrativas sobre algumas comunidades amazônicas, de modo que buscou-se observar especificamente o que o viajante afirmava em seu relato sobre os moradores da vila, as mulheres, as autoridades, a vida social, a alimentação, os seringueiros, os caucheiros e os indígenas Mangeroma/Mayoruna. De um modo geral, foi possível perceber as marcas de um olhar orientado sob uma perspectiva etnocêntrica, comum a outros viajantes que percorreram e narraram a região amazônica, estabelecendo, assim, a oposição entre um mundo “civilizado” e um “incivilizado”.