Pensando na religião como uma das bases estruturantes da cultura identitária de um povo, este trabalho tem como objetivo pesquisar o novenário de Nossa Senhora da Glória como símbolo religioso e identitário cultural da cidade de Cruzeiro do Sul, no Alto Juruá, no período de 1915 a 1966. Para chegar a esse objetivo limitamos o estudo da pesquisa em fazer uma análise da história cultural e religiosa dos moradores que já se encontravam no Alto Juruá, em Cruzeiro do Sul e dos que chegaram a esta terra. A pesquisa está embasada em pesquisas bibliográficas de autores desta região e de outros que se dispuseram a estudar a Amazônia, refazendo o percurso histórico e chegando ao Acre. Compreender, através de estudos e pesquisas, o campo religioso e profano que se tornou o Novenário para os moradores desta região e de outras localidades. Este estudo está caracterizado como um trabalho descritivo e com abordagem qualitativa. Analisa-se esse tema através de diferentes estudiosos, como Eliade (1972), Martinello (2004), Hall (2005), Ugarte (2009) e Tocantins (2000), que são alguns dos cientistas da religião, antropólogos, sociólogos, cronistas e o filósofo da linguagem, Mikhail Bakhtin (2013), que nortearam esta pesquisa. Este estudo não foi direcionado para o campo da teologia, ao contrário, englobam-se diferentes aspectos/ elementos que ajudaram a construir a cidade de Cruzeiro do Sul e a devoção à Santa que começou nos tempos dos seringais. Durante o estudo, constatou-se que a festividade de cunho religioso representa um cenário onde se entrelaçam histórias, memórias e encontros, típicos de uma festa cultural e religiosa. Assim sendo, conclui-se que pessoas de diferentes gêneros e idades participam compartilhando da mesma fé, através de campos identitários, sociais e culturais amplamente opostos, mas que constroem e refazem suas identidades culturais através de uma tradição perpassada de geração a geração, celebrando a religiosidade popular.