Esta dissertação tem como corpus de investigação o romance Terra caída (1961), de José Potyguara da Frota e Silva. A narrativa é ambientada na Amazônia acriana, no momento em que a borracha era o principal atrativo da economia da região, especificamente, no final do século XIX e início do século XX, período em que a presença feminina, que por muito tempo foi desconsiderada pela historiografia tradicional, era escassa e a especificidade de ser mulher baseava-se na dominação, na violência ou vista como um objeto de disputa entre os homens. Terra Caída é a segunda obra da trilogia romanesca de José Potyguara, que faz da gigantesca selva amazônica uma arena, nas quais a ambição pelo poder e a disputa por mulheres leva a traições e assassinatos. O objetivo principal dessa pesquisa é analisar a presença e participação das mulheres, a partir da obra Terra Caída, de José Potyguara, nos seringais do Alto Juruá, observando sua construção de estilo de vida, evidenciando sua participação no plano econômico, suas lutas e resistência e como se davam as relações de gênero em um momento em que o trabalho da extração do látex era majoritariamente feito pelo sexo masculino. Para fundamentar os estudos, procura-se apoio em autores como Cunha (2003), Wolff (1999), Pizarro (2012), Reis (1953), Said (2011), Bhabha (2013), Fanon (1979), Bonnici (2007), Del Priori (2004), Perrot (2017), entre outros. Acredita-se que este estudo poderá contribuir para ampliar a visão que se tem dos discursos sobre a história da borracha, a formação dos seringais amazônicos, o modo de vida nos seringais do Alto Juruá, e a posição social das mulheres. Concluindo-se, portanto, que é imperativo à mulher ser reconhecida, também, como protagonista no cenário histórico dos seringais amazônicos.