Esta pesquisa trata de uma análise da obra de ficção épica fantástica de George R. R. Martin, “As Crônicas de Gelo e Fogo”, propondo como ponto de partida uma análise do mito na ficção. A metodologia para a realização desta pesquisa parte de um levantamento bibliográfico e teórico sobre os mitos e a ficção. Entre os autores pesquisados para a análise da obra, com enfoque no mito como objeto, estão Joseph Campbell, Mircea Eliade, Jung, Junito de Souza Brandão e James Hillman. Uma vez que na contemporaneidade, as fronteiras entre ficção e realidade estão mais fluidas; a ficção é uma narrativa metáfora ou metafórica de seu tempo e uma análise crítica que toma como apoio e referência teóricos como Bhabha, Glissant entre outros, de modo que a análise crítica dessas fronteiras fluidas se faz necessária para pensar, dialogar, questionar o mito metáfora de nosso tempo. Além disso, é importante também pensar como o mito dialoga com as temáticas da contemporaneidade e sua complexidade. No primeiro capítulo, disserta-se sobre os aportes teóricos da pesquisa, organizando-se em três tópicos fundamentais: a literatura, sua relação com a memória e seus efeitos na contemporaneidade, em seguida tem-se o trabalho de conceituar o mito e discutir a relação entre metáfora mítica na ficção e as fronteiras como temática atual. Neste mesmo capítulo, há uma breve discussão acerca da literatura fantástica e da análise do gênero narrativo de George Raymond Richard Martin. A partir do segundo capítulo, faz-se uma análise empírica da saga relacionando-a com os mitos; para fins didáticos, este capítulo foi dividido em três tópicos: o Norte Mitológico, a capital política e Daenerys, a Jornada da heroína. No último capítulo, de caráter analítico, aborda-se o mito nas crônicas e a metáfora no mito, partindo da categoria de arquétipo de Jung e a massificação da imagem de Walter Benjamin e encerra a discussão com a Muralha e sua analogia com as fronteiras, pensando a questão da territorialidade. Nas considerações finais, destaca-se a relevância da pesquisa por inserir um novo olhar para o debate das fronteiras e esclarecer que não é uma pesquisa por resultados, mas para ampliar o debate e priorizar um modelo de pensar desvalorizado que é o pensar por imagens, um pensar que se vale da linguagem mítica e metafórica para estabelecer sentidos.