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Dados do Trabalhos de Conclusão

FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA
SAÚDE E ENVELHECIMENTO (33029016002P0)
AVALIAÇÃO DE FATORES CLÍNICOS E LABORATORIAIS PREDITIVOS DA DIFICULDADE DE DESMAME VENTILATÓRIO EM PACIENTES ADULTOS
MARIA APARECIDA VITAGLIANO MARTINS
DISSERTAÇÃO
05/02/2018

Introdução: A ventilação mecânica é utilizada em pacientes com insuficiência respiratória de diferentes etiologias. Nos casos potencialmente reversíveis, o suporte ventilatório salva vidas, porém a duração da ventilação mecânica está diretamente relacionada ao aumento da incidência de eventos adversos, maior tempo de internação hospitalar, aumento da mortalidade e consumo de grandes quantidades de recursos humanos e financeiros. A retirada do paciente da ventilação mecânica continua a desafiar os profissionais médicos, pois cerca de 20 % dos pacientes apresentam dificuldades no processo de desmame ventilatório. Objetivos: Este estudo teve como objetivo geral determinar a prevalência e os fatores preditivos do desmame ventilatório em pacientes adultos, internados em uma Unidade de Tratamento Intensivo, em ventilação mecânica há mais de 24 horas e, como objetivos específicos, determinar o impacto da idade, de variáveis epidemiológicas, clínicas e laboratoriais, e dos níveis de peptídeo natriurético atrial no desmame ventilatório, assim como determinar as variáveis associadas à evolução dos pacientes. Método: Foi realizado estudo observacional prospectivo, com caso controle aninhado, incluindo pacientes adultos, em ventilação mecânica por mais de 24 horas, internados em uma Unidade de Tratamento Intensivo geral, de 01/04/2016 a 10/08/2017, acompanhados até a alta ou óbito. Os pacientes foram avaliados por escores de gravidade, monitorados em relação a parâmetros clínicos, ventilatórios, laboratoriais e quanto à ocorrência de eventos adversos. Foram realizadas dosagens do peptídeo natriurético atrial imediatamente antes do início do Teste de Respiração Espontânea e da extubação. Foi realizada análise descritiva e comparativa dos dados O valor de p < 0,05 foi considerado estatisticamente significante. Foram realizadas análises univariada e de regressão logística para se verificar as variáveis associadas ao desmame da ventilação mecânica e à evolução. Resultados: Foram analisados 193 pacientes com idade média de 54,2 ± 19 anos, APACHE II 22.3 ± 8,8, tempo médio de ventilação mecânica de 15,8 ± 12,7 dias e sucesso da extubação de 67,7%. Os eventos adversos mais frequentes foram as infecções hospitalares (74,9%). As variáveis associadas com o sucesso da extubação foram: idade (50,5 ± 19,3 versus 60,5 ± 18 anos; p=0,005), tempo de sedação endovenosa contínua (8,6 ± 6,2 versus 13,4 ± 9,2 dias; p=0,004), número de dias com balanço hídrico positivo (8,3 ± 5,3 versus 18,3 ± 10,3; p=0,0001), número de dias com hiperglicemia (7,3 ± 6,6 versus 16,8 ± 12,4; p=0,01), número de dias com hipercapnia (5,0 ± 4,4 versus 8,1 ± 7,2; p=0,014) e tempo, em dias, de ventilação mecânica (10,1 ± 7,0 versus 23,9 ± 13,7; p=0,0001); os níveis plasmáticos de peptídeo natriurético atrial foram menores nos pacientes com sucesso (229 ± 419 versus 440 ± 748; p=0,161), porém, sem atingirem significância estatística; a análise multivariada por regressão logística mostrou como variáveis associadas, independentemente, ao insucesso da extubação a idade (OR 1,04; IC95% 1,01 a 1,07) e o tempo de ventilação mecânica (OR 1,14; IC95% 1,08 a 1,21). A mortalidade geral foi de 26,9% sendo de 20% entre os pacientes com sucesso na extubação e de 80% naqueles que falharam. Na análise multivariada por regressão logística, as seguintes variáveis foram independentemente associadas ao óbito: idade (OR 1,02 IC95% 1,0 a 1,04), APACHE II (OR 1,05 IC95% 1,00 a 1,10) e dias de internação no hospital pré internação na UTI (OR 1,07 IC95% 1,02 a 1,12). Discussão: Observamos elevada taxa de falência da extubação (30,8%), maior que as descritas em estudos nacionais e internacionais, sendo que as variáveis independentemente associadas ao fracasso da extubação identificadas, idade e tempo de ventilação mecânica, também são referidas em estudos semelhantes. Não houve a confirmação do papel preditivo do peptídeo natriurético em relação ao resultado do Teste de Respiração Espontânea, talvez pelo número de pacientes estudados. A mortalidade geral (26,9%) foi abaixo do resultado de estudo multicêntrico nacional, porém mais elevada do que aquelas relatadas em estudos internacionais Entre os pacientes submetidos ao Teste de Respiração Espontânea, observamos mortalidade de 11,3%, abaixo dos valores reportados em estudos nacionais e internacionais. Na análise multivariada por regressão logística, idade e dias de ventilação mecânica foram as variáveis que se associaram independentemente ao fracasso do desmame ventilatório, ao passo que idade, APACHE II e dias de internação no hospital pré internação na UTI foram as variáveis que se associaram, de forma independente, ao risco de morrer. Nossos dados estão de acordo com os relatos da literatura que sugerem que idade, escores de gravidade, tempo de internação hospitalar antes da transferência para a UTI, tempo de ventilação mecânica e gravidade do comprometimento pulmonar são variáveis associadas tanto à dificuldade do desmame da ventilação mecânica quanto ao risco de morrer. Conclusão: Nossos pacientes submetidos ao Teste de Respiração Espontânea são mais graves e esperam mais tempo por um leito em UTI, quando comparado com outros serviços, variáveis que, certamente, interferem no resultado do desmame da ventilação mecânica e na evolução dos pacientes. Duas variáveis foram independentemente associadas ao fracasso da extubação: idade e tempo de ventilação mecânica. Não houve a confirmação do papel preditivo do BNP em relação ao resultado do Teste de Respiração Espontânea. Tais dados sugerem que devemos implementar melhorias nos cuidados aos doentes gravemente enfermos em nosso hospital e, em nossa UTI, como diminuir o tempo de espera por um leito em UTI além da revisão dos procedimentos relativos a identificação e manejo dos pacientes prontos ao TRE e à extubação, como a implantação de protocolo que associe outros índices preditores do resultado do desmame ventilatório ao Teste de Respiração Espontânea, uma vez que o sucesso da extubação é uma variável diretamente relacionada à sobrevida dos pacientes

Respiração artificial;Desmame do respirador;Peptídeo natriurético encefálico;Unidade de Terapia Intensiva;Mortalidade
Introduction: Mechanical ventilation is used in patients with respiratory insufficiency of different etiologies. In potentially reversible cases, ventilatory support saves lives but the duration of mechanical ventilation is directly related to the increased incidence of adverse events, longer hospital stay, increased mortality and consumption of large amounts of human and financial resources. Patient withdrawal from mechanical ventilation continues to challenge medical professionals because about 20% of patients present difficulties in the ventilatory weaning process. Objectives: This study aimed to determine the prevalence and predictive factors of ventilatory weaning in adult patients admitted to an Intensive Care Unit, in mechanical ventilation for more than 24 hours, and, as specific objectives, to determine the impact of age, of clinical and laboratory variables, and atrial natriuretic peptide levels at ventilatory weaning, as well as to determine the variables associated with the evolution of the patients. Method: A prospective nested case control study was performed including adult patients on mechanical ventilation for more than 24 hours, hospitalized in a General Intensive Care Unit from 01/04/2016 to 08/08/2017, followed up discharge or death. Patients were evaluated for severity scores, monitored for clinical, ventilatory, laboratory, and adverse events. Atrial natriuretic peptide dosages were performed immediately prior to the initiation of the Spontaneous Breathing Test and extubation. A descriptive and comparative analysis of the data was performed. The value of p <0.05 was considered statistically significant. Univariate analysis and logistic regression were performed to verify the variables associated with weaning from mechanical ventilation and evolution. Results: A total of 193 patients with a average age of 54.2 ± 19 years, APACHE II 22.3 ± 8.8, average time in days of mechanical ventilation of 15.8 ± 12.7 and extubation sucess of 67.7 %. The most frequent adverse events were hospital infections (74,9%). The variables associated with successful extubation were: age (50.5 ± 19.3 versus 60.5 ± 18 years, p = 0.005), continuous intravenous sedation time (8.6 ± 6.2 versus 13.4 ± 9.2 days, p = 0.004), number of days with positive water balance (8.3 ± 5.3 versus 18.3 ± 10.3, p = 0.0001), number of days with hyperglycemia (7.3 ± 6,6 versus 16,8 ± 12,4; P = 0.01), number of days with hypercapnia (5.0 ± 4.4 versus 8.1 ± 7.2, p = 0.014) and time in ventilation mechanical (10.1 ± 7.0 versus 23.9 ± 13.7, p = 0.0001); the plasma levels of atrial natriuretic peptide were lower in successful patients (229 ± 419 versus 440 ± 748; p = 0.161) but did not reach statistical significance; the multivariate analysis by logistic regression showed that the variables independently associated with failure of extubation were age (OR 1.04, 95% CI 1.01 to 1.07) and mechanical ventilation time (OR 1.14, 95% CI % 1.08 to 1.21). Overall mortality was 26.9%, with 20% among successful extubation patients and 80% among those who failed. In the logistic regression analysis, the following variables were independently associated with death: age (OR 1.02 CI 95% 1.0 to 1.04), APACHE II (OR 1.05 CI 95% 1.00 to 1.10), and days of hospitalization before admission to the ICU (OR 1.07 95% CI 1.02 to 1.12). Discussion: We observed a high rate of extubation failure (30.8%), higher than those described in national and international studies, and the variables independently associated with the extubation failure identified, age and time of MV, are also reported in similar studies. There was no confirmation of the predictive role of the natriuretic peptide in relation to the Spontaneous Breathing Test result, perhaps due to the number of patients studied. Overall mortality (26.9%) was lower than the result of a national multicenter study, but higher than those reported in international studies. Among patients submitted to Spontaneous Breathing Test, we observed a mortality rate of 11.3%, lower than the values reported in national and international studies. In the multivariate analysis by logistic regression, age and days of mechanical ventilation were the variables that were independently associated with failure of ventilatory weaning, whereas age, APACHE II and days of hospitalization before admission to the ICU were variables who were independently associated with the risk of dying. Our data are in line with the literature reports suggesting that age, severity scores, length of hospital stay prior to transfer to the ICU, mechanical ventilation time, and severity of lung impairment are variables associated with both the difficulty of weaning from mechanical ventilation and the risk of dying. Conclusion: Our patients undergoing Spontaneous Breathing Test are more severe and wait longer for an ICU bed when compared to other services, variables that certainly interfere with the outcome of weaning from mechanical ventilation and the evolution of patients. Two variables were independently associated with extubation failure: age and time of mechanical ventilation. There was no confirmation of the predictive role of BNP in relation to the Spontaneous Breathing Test outcome. These data suggest that we should implement improvements in critically ill patients care in our hospital and in our ICU, such as reducing the waiting time for an ICU bed, in addition to reviewing the procedures for identifying and managing patients ready for Spontaneous Breathing Test and extubation, such the implantation of a protocol that associates other indexes predicting the outcome of ventilatory weaning to the Spontaneous Breathing Test, since the success of extubation is a variable directly related to patient survival
Respiration, artificial;Ventilator weaning;Natriuretic peptide, brain;Intensive Care Units;Mortality
1
66
PORTUGUES
FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA
O trabalho possui divulgação autorizada
MARTINS, MAV, Avaliação de fatores clínicos e laboratoriais preditivos da dificuldade de desmame ventilatório em pacientes adultos.pdf

Contexto

SAÚDE E ENVELHECIMENTO
ASPECTOS BIOLÓGICOS, EPIDEMIOLÓGICOS E SOCIAIS RELACIONADOS AO ENVELHECIMENTO E ÀS DOENÇAS ASSOCIADAS
Avaliação de fatores clínicos e laboratoriais preditivos da dificuldade de desmame ventilatório em pacientes adultos internados em uma unidade de tratamento intensivo.

Banca Examinadora

LUCIENI DE OLIVEIRA CONTERNO
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
FABIO VILLACA GUIMARAES FILHO Participante Externo
CLAUDIO JOSE RUBIRA Participante Externo
LUCIENI DE OLIVEIRA CONTERNO Docente - PERMANENTE

Vínculo

CLT
Outros
Outros
Sim
Plataforma Sucupira
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