A cicatrização de feridas é um processo complexo que envolve múltiplas etapas, sequencias e sobrepostas, sendo fundamental o fornecimento de um ambiente favorável, para favorecer o processo fisiológico. Tendo em vista que filmes poliméricos são capazes de proteger a ferida, melhorar o microambiente, favorecendo, dessa forma, a cicatrização, o objetivo deste trabalho foi produzir filmes poliméricos contendo bromelina em nanocarreadores (nanopartículas e lipossomas), caracterizar os produtos obtidos e avaliar a sua atividade cicatrizante em feridas cirúrgicas, induzidas em ratos. A bromelina foi extraída da polpa de um abacaxi, produto da hibridização entre o Ananas comosus var. erectifolius e o Ananas comosus var. bracteatus. As nanopartículas (NPs) foram produzidas pelo método de nanoprecipitação, e os lipossomas, pelo método de hidratação do filme lipídico seguido de sonicação. A bromelina foi incorporada por meio de adsorção às NPs e no núcleo aquoso dos lipossomas. Foram produzidos diferentes filmes, tendo bromelina livre, bromelina carreada em nanopartículas e em lipossomas, além do controle, sem a protease. Os filmes foram submetidos à análise do potencial cicatrizante em ratos machos da linhagem Wistar, tendo sido induzida uma ferida cutânea através da excisão da pele até a exposição da fáscia muscular, e, seguidamente, coberta com os filmes. As nanopartículas (NPs) sem bromelina apresentaram 387 nm de diâmetro, e, após a adsorção, 496 nm, tendo tamanho semelhante ao encontrado por outros autores, embora, o seu tamanho varie com a concentração utilizada de polímero. A eficiência de associação foi de 45,24%, com manutenção da atividade catalítica. Já foi relatado uma maior eficiência de incorporação, no entanto, a bromelina foi incorporada por meio de encapsulação. O potencial zeta variou de -19 para -5,5 mV, o que resulta em redução da sua estabilidade e propensão à agregação das nanoestruturas durante o armazenamento. A atividade enzimática não variou muito frente às variações de pH e de temperatura, quando incorporada nas NPs. Os lipossomas foram mais eficientes na incorporação da bromelina, tendo uma eficiência de encapsulação de 71.5 ± 0.91%, maior também do que a encapsulação alcançada por outros autores. O tamanho das nanovesículas variou de 243,2 para 298,6 nm, após a incorporação, e, o potencial zeta aumentou, em módulo, variando de -29,4 para -36,8 mV, indicando uma maior estabilidade à agregação, após a incorporação. O estudo histopatológico das lesões permitiu verificar a redução do edema no 14º dia nos animais tratados com membranas contendo bromelina em NPs e em lipossomas, e ausência de polimorfonucleares no tratamento com membranas contendo bromelina em NPs, e, menor intensidade do infiltrado celular e ausência de neovascularização no tratamento com membranas contendo bromelina em lipossomas. O estudo demonstrou a incorporação da bromelina em nanocarreadores e sua aplicação em blendas poliméricas, com manutenção da atividade enzimática e potencial cicatrizante dos produtos obtidos.