Partindo da observação que se propõe no título desta dissertação, buscamos, com esta pesquisa, construir um olhar sobre o ensino da língua portuguesa na escola indígena Tamãkãyã, do povo Noke Koî (Katukina) que vivem atualmente na Terra Indígena Campinas/Katukina, às margens da BR 364, no município de Cruzeiro do Sul. Esta pesquisa teve como objetivo geral compreender as práticas do ensino da língua portuguesa junto ao povo Noke Koî, com o intuito de investigar sobre o desenvolvimento da educação escolar indígena, as conquistas, desafios e dificuldades, no ensino fundamental do 5º ao 6º ano. Partimos do pressuposto que o português tem sua importância para o campo educacional no cotidiano do povo Noke Koî: para os pais dos alunos, a educação é importante, pois é possível conhecer sobre práticas e valores que podem ser adquiridos através do seu ensino e, isto, tem despertado o interesse contínuo de maneira que seja possível expandir seus conhecimentos através desta língua. Desde o início do afastamento da BR, os contatos deste povo com o português foram intensificados, diante disso, pais e alunos construíram um pensamento que indica a necessidade de aprender o português com intuito de defender sua terra e, principalmente, disputar as vagas de emprego existentes na Terra Indígena. Do ponto de vista dos procedimentos metodológicos adotados nesta pesquisa, destacamos: entrevistas com professores indígenas. Visitas às escolas, análises dos procedimentos desenvolvidos pelos professores ‘em sala de aula e fora dela’. Conversas com a equipe gestora da escola e outros sujeitos que são fundamentais na relação ensino/aprendizagem dos alunos. Diante disso, foram constatados que o ensino da língua portuguesa que é um desejo da maioria dos pais dos alunos, está sendo assimilado, mas de forma precária. Essa precariedade está relacionada à formação dos professores e o fato destes não conseguirem uma metodologia de ensino relacionada ao dia-a-dia da aldeia. Constatamos também que há um conflito das determinações da Secretaria Estadual de Educação e o cotidiano da aldeia, pois para os indígenas todas as atividades desenvolvidas na aldeia, como pescaria, plantio, colheitas é educação e, a Secretaria de Educação considera educação o que é ensinado só na sala de aula.