Introdução: Cateteres Centrais de Inserção Periférica (PICC) estão sendo cada vez mais utilizados em relação aos demais cateteres centrais, por serem uma alternativa segura como adjuntos no tratamento dos pacientes. Porém, existe uma grande preocupação em mitigar os eventos adversos, relacionados a este dispositivo. Um dos eventos mais preocupantes é a trombose venosa profunda (TVP), que na maioria das vezes, está associada ao aumento do tempo de permanência dos pacientes no hospital, a elevação dos custos e, também a desfechos negativos em relação ao prognóstico. Na atualidade existem opções disponíveis de dispositivos com mecanismos que prometem atuar na redução da trombose, como o PICC Bioflo® mas que, no entanto ainda carecem de mais estudos. Objetivos: comparar a incidência de TVP em pacientes com PICC com tecnologia Bioflo® ou Power PICC® e identificar os preditores de TVP em pacientes com Bioflo® ou Power PICC®. Métodos: O estudo tratou-se de um ensaio clínico. A coleta de dados foi realizada por meio de randomização dos pacientes e todo o seguimento foi concretizado por enfermeiros certificados que compõe o time de terapia infusional de um hospital terciário de São Paulo. Foram utilizados para coleta dos dados, formulários específicos construídos para o presente estudo e institucionais que fazem parte do contexto do procedimento de passagem de PICC. Os pacientes foram alocados a cada um dos grupos de forma aleatória de acordo com um sorteio em blocos que foi realizado pelo programa R (R Core Team, 2015) com o pacote blockrand que gerou fichas com o número do paciente no estudo e local para colagem da etiqueta com as informações de identificação do paciente. Essas fichas foram alocadas em envelopes que foram abertos seguindo a ordem de inclusão dos pacientes no estudo. A questão ética para a inclusão dos participantes seguiu as solicitações da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde referente às recomendações para pesquisas envolvendo a participação de seres humanos. Para tanto, foi apresentado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aos participantes do estudo, assegurando o seu anonimato, assim como garantindo a liberdade de não participarem ou se retirarem da pesquisa, caso assim desejarem. Os pacientes foram abordados individualmente pelo enfermeiro especialista do time de terapia infusional, após ter sua rede venosa avaliada e estar dentro dos critérios de inclusão. Os dados foram analisados da seguinte forma: as variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas, enquanto variáveis numéricas foram avaliadas quanto à sua distribuição. A descrição foi realizada globalmente, para todos os pacientes, separadamente por tratamento e por incidência de trombose venosa (para verificar possíveis fatores associados). Para comparar os dois grupos de tratamento quanto à incidência de trombose foi utilizado teste de hipóteses Qui-quadrado e exato de Fisher uni caudal com hipótese alternativa de que a proporção de casos de trombose venosa é inferior no grupo BIOFLO® em relação ao POWER PICC®. As análises foram conduzidas com o programa computacional R (R Core Team, 2015) e foi adotado nível de significância de 5%. A partir desta distribuição, os registros foram submetidos à análise estatística descritiva para a obtenção dos resultados, a distribuição de frequências das variáveis numéricas foi verificada por meio de histogramas, boxplots e gráficos de comparações de quartis, que serão apresentados por meio de números absolutos e percentuais, delineados por meio de tabelas e/ou figuras. Resultados: Para o cateter BIOFLO® observamos 10 casos de trombose, o que nos dá uma probabilidade de sucesso de 98,06%. A incidência de TVP no grupo neste grupo foi de 1,94%. Para o cateter POWER PICC®, observamos 14 casos de TVP, o que nos dá uma probabilidade de sucesso, ou seja, não TVP de 97,28% e a incidência de TVP de 2,7%. Conclusão: O PICC BIOFLO® não é superior ao POWER PICC® em relação à incidência de TVP.