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Dados do Trabalhos de Conclusão

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
FILOSOFIA (31005012006P1)
Educação Presencial
Cosmopolíticas da Terra: Modos de existência e resistência no Antropoceno
ALYNE DE CASTRO COSTA
TESE
13/02/2019

Esta tese tem por objetivo investigar, sob um ponto de vista filosófico, possíveis caminhos para pensar o que significa resistir diante da chamada crise ecológica, isto é, o conjunto das graves alterações de origem antropogênica observadas nos processos biogeoquímicos da Terra, a ponto de ter suscitado a entrada do planeta numa nova época geológica, o Antropoceno. Esse acontecimento coloca em xeque a própria validade universal das categorias que sustentam a epistemologia dita ocidental – a qual, segundo Bruno Latour (1994), se caracteriza pela admissão de apenas dois modos de existência para os seres, isto é, como entes naturais ou culturais. De maneira que, para investigar as possibilidades de resistência, sugerimos ser necessário considerar os modos próprios de outras ontologias conceberem os entes que habitam o mundo, bem como suas maneiras particulares de descrever os processos e interferências que ameaçam destruí-lo. Tal consideração da pluralidade ontológica existente se faz necessária também porque, como este trabalho pretende esclarecer, a Terra pode ser compreendida como o solo comum que só existe a partir das versões divergentes dela mesma. A unidade que constitui esse solo comum, no entanto, não pode ser vislumbrada sem um cuidadoso trabalho de composição: foi uma tentativa malsucedida de fabricar um mundo comum que deflagrou a atual guerra de mundos (Latour, 2002) que a crise ecológica torna incontornável. Assim, seguindo ainda a terminologia de Latour, de um lado da disputa estão os Humanos, aqueles que, presumindo deter o conhecimento definitivo sobre a realidade objetiva do mundo e se arrogando o direito de explorar impiedosamente os seres “naturais” (além de outros humanos), conduziram-nos ao estado atual de desordem ecológica; do outro, há os Terranos, indivíduos e povos que reconhecem na Terra e em seus seres verdadeiros aliados na existência, e não meros recursos a explorar. Esta tese, portanto, traça um panorama, ainda que não exaustivo e em larga medida especulativo, dos múltiplos modos terranos de existir e resistir, permitindo assim entrever as possíveis insurreições cosmopolíticas da Terra e de seus povos contra a barbárie eco-política que se anuncia.

Cosmopolítica;Antropoceno;crise ecológica, resistência;pluralismo ontológico
This thesis aims to investigate, from a philosophical standpoint, possible ways of thinking about what it means to resist in the so-called ecological crisis – that is, the severe anthropogenic changes to Earth’s biogeochemical cycles that pushed the planet into a new geological epoch: the Anthropocene. This crisis calls into question the very validity of the main categories that structure what we call “western epistemology” – which, according to Bruno Latour (1994), is characterized by the distribution of all beings into two (and only two) modes of existence, i.e., either as natural or as cultural entities. Therefore, in order to investigate different manners of resisting, we suggest that it is crucial to consider the particular ways in which other ontologies conceive the beings that inhabit the world, as well as how they describe the processes and interferences that threaten to destroy it. Another reason why we need to adopt this ontological pluralism is that, as this thesis aims to demonstrate, the Earth can be understood as a common ground which exists only through the diverging versions of itself. The unity that constitutes this common ground, however, requires a careful labour of composition: it was precisely an attempt at fabricating a common world whithout this composition that unleashed the current war of worlds (Latour, 2002) that the ecological crisis makes inescapable. Thus (still keeping to Latour’s terminology), on one side of this war, stand the Humans – those who, by presuming to possess the definitive knowledge over objective reality, have all along claimed their right to unscrupulously exploit the “natural” beings (as well as other human beings), thus leading us to the present situation of ecological disorder. On the other side stand the Earthbound, those peoples who consider the Earth and its beings as their true allies in existence, rather than just an infinite source of materials to exploit. This thesis outlines a panorama – a non-exhaustive and, to a large extent, speculative one – of the multiple Earthbound modes of existence and resistance, which provides a glimpse of the possible (cosmo)political uprisings of the Earth and its peoples against the eco-political barbarism ahead.
Cosmopolitics;Anthropocene;ecological crisis;resistance;ontological pluralism
1
303
PORTUGUES
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
O trabalho possui divulgação autorizada
1412490_2019_Completo Alyne.pdf

Contexto

FILOSOFIA
FILOSOFIA E A QUESTÃO AMBIENTAL
-

Banca Examinadora

DEBORAH DANOWSKI
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
MARCO ANTONIO VALENTIM Participante Externo
SUZANE DE ALENCAR VIEIRA Participante Externo
EDUARDO BATALHA VIVEIROS DE CASTRO Participante Externo
ORLANDO FERNANDES CALHEIROS COSTA Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS FILHO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - Programa Bolsa Nota 10 9
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR - Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições de Ensino Particulares (módulo Bolsas) 29

Vínculo

CLT
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Não
Capes
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