A reflexão epistemológica sobre educação é complexa, apresenta-se como um
processo orgânico da experiência humana, de caráter amplo, vital, não restrito a uma
instituição, derivada das relações sociais e composta por uma diversidade ontológica
que simboliza a pluralidade do mundo. Nesta perspectiva, a educação é concebida
como o ato e o efeito das interações humanas no coletivo que geram aprendizagens,
conforme apreendida pela educação popular de Paulo Freire, onde o saber e o fazer
estão interligados e são mediados pelas relações interpessoais. A discussão sobre o
contexto é fundamental para a compreensão da educação enquanto fenômeno social,
então no território onde as famílias coabitam, encontram-se práticas de sustentos,
religiosas, institucionais, relações afetivas, crenças, ou seja, a produção
cultural/simbólica e todas essas interações territoriais produzem o seu patrimônio.
Portanto, o trabalho buscou através da identificação do sentido do Território Sertão do
São Francisco, aliado à descrição sobre o processo social da comunicação,
juntamente com o mapeamento das práticas cotidianas da comunidade quilombola do
Rodeadouro, caracterizar o ecossistema comunicativo deste importante grupo social
do município de Juazeiro, localizada ao norte do Estado da Bahia. O trabalho
enveredou pela relação entre a natureza, os saberes populares e as plurirrelações do
Rodeadouro na perspectiva de discutir o conceito ampliado sobre educação. Como
procedimento sistemático, a pesquisa adotou técnicas das metodologias participativas
em pesquisa social, representadas no trabalho de campo pela travessia e calendário
de atividades. Em seguida, orientadas pelas entrevistas narrativas, promoveu um
diálogo com outras pesquisas acadêmicas locais para o aprofundamento das
informações encontradas. A inspiração etnográfica trouxe a observação participante
e as imagens como registro dos dados, bem como a escrita descritiva como método
de análise fornecendo suporte científico à investigação. O aporte teórico estruturouse
num tripé paradigmático composto pelas correntes de pensamentos sobre o
Territórios de Identidade, a Educomunicação e os Estudos Culturais. Embora o
conceito do ecossistema comunicativo mais comumente seja aplicado dentro da
Educomunicação, é uma categoria advinda dos Estudos culturais e apresenta uma
densidade teórica, trata-se de uma forma de enxergar a vida em comunidade,
interligando as intervenções no território com a convivência dos/das seus/suas
moradores/moradoras, suas relações externas e sua visão de mundo. Dessa forma,
todas interações/mediações comunitárias geram produtos que narram o seu
ecossistema. No caso do Rodeadouro, a rua São José, a escola Maria Monteiro
Bacelar e os barcos são as materialidades encontradas. Enquanto os grupos
religiosos, as associações e o Samba de Véio, compõem as imaterialidades, estas
foram evidências territoriais reunidas pela pesquisa que caracterizam o ecossistema
comunicativo desta comunidade.