À luz da filosofia da linguagem e da teoria semiótica, este trabalho apresenta como tema uma análise da produção musical gravada por Jorge Cardoso de 1980 a 1989, evidenciando as diversas possibilidades de construção de sentido mediante a relação entre letras, imagens e sonoridade. Nosso objetivo principal é compreender a concepção de linguagem, analisando como se articulam as diferentes representações semióticas presentes no contexto das canções do artista acreano. Propomos, ainda, descrever, comparar e problematizar conteúdos, temáticas e conceitos teóricos apresentados no contexto desta pesquisa. O objeto de estudo desta investigação é a linguagem, a qual será problematizada, principalmente, a partir da teoria dialógica emancipatória proposta por Bakhtin/Voloshinov (1995) e sua característica plurissignificante defendida nos estudos de Greimas (1973) e pela Semiótica da Canção: melodia e letra, introduzida por Tatit (1994). A metodologia da pesquisa se configura como qualitativa de cunho documental, através da qual foram consultados textos de variados teóricos e críticos publicados em livros, teses, dissertações, artigos científicos, jornais, revistas para a produção de questionamentos. Registramos que, durante o trabalho de campo, foram empreendidas diversas ações como entrevistas informais amparadas pelo método proposto por Portelli (1996). Nesse contexto, participaram das entrevistas: músicos, familiares, amigos, parceiros de composições e fãs do compositor. Catalogamos, ainda, um grande acervo de canções e alguns arquivos audiovisuais, culminando na escolha de seis delas, bem como imagens e áudios. No contexto das músicas escolhidas estão inseridos temas que fazem alusão ao amor, à mulher e à parte da narrativa do cotidiano urbano. As canções analisadas obedecem à ordem cronológica de gravação: Preciso Saber a Verdade (1980), Desculpas (1982), Lambada do Amapá (1985), O Xote do Acre (1985); Dentro do Coração (1987) e Força mulher (1989). Através dos textos musicalizados, como recomenda Antunes (2010), procuramos identificar e problematizar a linguagem verbal e não-verbal em forma de discursivo por meio de uma abordagem analítica do geral ao particular, observando a forma de externar os sentimentos do eu-lírico e não, simplesmente, considerando a linguagem como uma simples forma de comunicação humana, conforme regra geral estabelecida pelo sistema unilateral da língua sugerido por Saussure (1983). O plano de escrita da dissertação está estruturado em três capítulos, sendo que no primeiro exploramos concepções teóricas e metodológicas acerca dos estudos da língua, da linguagem, do discurso e da enunciação, problematizando conceitos defendidos por diversos estudiosos. No segundo, apresentamos informações levantadas sobre a produção musical do artista acreano por meio de documentos, imagens e oralidade, visando promover indagações sobre a linguagem cancional. No terceiro, aplicamos a análise sistemática sobre aspectos narrativos e musicais nas canções, evidenciando o processo de significação e construção de sentido no interior da produção musical. Nessa seção, de forma didática, mostramos o elo existente entre a letra e a melodia através de gráficos e partituras, propondo melhor entendimento a um público leigo e aos estudantes de música. Assim, exemplificamos como funciona o encontro figurativo da melodia com a sílaba cantada na canção assemelhando-se à atuação da fala do sujeito, oscilando entre o timbre grave, agudo e intensidade sonora conforme nos expressamos no diálogo cotidiano. Como resultado da pesquisa, apresentamos questionamentos sobre a importância da linguagem na construção do discurso e emancipação do sujeito (compositor). Em suma, expressamos o fomento em produzir pesquisas sobre o gênero letras de canções que podem contribuir no sentido de produzir reflexões sobre futuros estudos de caráter interdisciplinares e didático-musicais no ambiente acadêmico da instituição.