Este estudo apresenta a pesquisa de mestrado vinculada à linha de pesquisa Currículo, Formação Docente e Diversidade, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Unidade Universitária de Paranaíba, sobre o tema Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esse tema, presente na legislação brasileira sobre a educação especial na perspectiva inclusiva, apresenta dentre seus princípios que os alunos com TEA, cujas habilidades comunicativas e interacionais são comprometidas, associadas a padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, sejam inseridos no ensino regular por fazerem parte dos alunos público-alvo da Educação Especial (PAEE). Para a inclusão de alunos com TEA ser efetivamente qualitativa, deve-se impulsionar seu desenvolvimento humano por meio da educação escolar. Nessa direção, tem-se na figura do professor de Arte um importante agente de mediação entre esse aluno e os processos psíquicos permeados pelo componente curricular. A partir dessas considerações, objetivou-se compreender a mediação realizada pelos professores de Arte dos anos iniciais do Ensino Fundamental, para a inclusão, aprendizagem e desenvolvimento de alunos com TEA em uma rede municipal de ensino do Noroeste Paulista. Para tanto, propõe-se uma investigação com discussões teóricas sobre o Transtorno do Espectro Autista (KANNER, 1943; WING, 1981, 1988; SCHWARTZMAN, 2011a, 2011b, 2011c), A educação escolar e a criança com deficiência (VIGOTSKI, 1997; BARROCO, 2011, 2012), Ensino, aprendizagem, desenvolvimento e mediação sob o enfoque histórico-cultural (VIGOTSKI, 1979, 1997, 2007, 2008; MARTINS, 2010, 2013, 2016; DUARTE, 1996, 2008, 2009, 2013, 2016) e O ensino de Arte (BARBOSA, 1975, 1984). A abordagem qualitativa norteou as análises da pesquisa de campo, cujo instrumento utilizado para a coleta de dados foi a entrevista semiestruturada, realizada com quatro professores de Arte atuantes com alunos com TEA, cujos dados foram analisados com base no referencial teórico da Psicologia Histórico-Cultural. Foi constatado que: a) o ensino de Arte é relevante para os alunos com TEA por impulsionar o desenvolvimento da criatividade, da percepção, da coordenação motora fina, da interação e da expressão; b) os conteúdos do componente curricular Arte podem contribuir para o desenvolvimento e potencialização das habilidades que precisam ser estimuladas em alunos com TEA; c) as práticas pedagógicas com melhores resultados em relação à inclusão, aprendizagem e desenvolvimento consideram a Zona de Desenvolvimento Iminente do aluno com TEA. Diante das peculiaridades do TEA e da singularidade de cada criança, o processo de mediação exige flexibilidade e tem um caráter ainda mais decisivo sobre o desenvolvimento desse aluno; no entanto, foi identificado que a maioria dos professores não se sente preparada para atuar com essa clientela e metade deles demonstrou falta de conhecimento acerca das características do TEA. Conclui-se que para a ocorrência de uma mediação intencionalmente planejada a fim de potencializar o desenvolvimento de crianças com TEA, tal como propõem os contributos da Psicologia Histórico-Cultural, a formação continuada com base nessa linha teórica muito contribuiria nesse cenário de inclusão escolar.