Neste estudo, vinculado à linha de pesquisa Língua(gem) e Formação Docente do Mestrado em Letras: linguagem e identidade da UFAC, analisa-se o léxico do romance “Terra Caída”, de José Potyguara, que disponibiliza em suas páginas a língua, a história e a cultura da Amazônia e, de modo mais específico, acriana. O objetivo geral é resgatar as peculiaridades linguísticas e culturais do estado do Acre no período histórico focalizado na obra, 1879-1912. Os objetivos específicos são elaborar um glossário e analisar as lexias, identificando as relações entre língua e cultura. A pesquisa, de natureza bibliográfica, está pautada na Lexicologia, na Lexicografia, na Dialetologia e na Sociolinguística. Foram selecionadas 87 lexias, 28 advindas da fala dos personagens e 59 da narração da obra. As fichas lexicográficas foram elaboradas com base no modelo de Barros (2004) e Krieger e Finatto (2015). Os resultados, no que diz respeito à dicionarização das lexias, mostram que das 87 lexias, 82 constam no “Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa”, de Ferreira (2009), 81 no “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”, de Houaiss (2001), 61 no “Vamos Falar o Acreanês”, de Ranzi (2017), 48 no “Dicionário Amazônico de Termos, Abusões e Verbetes”, de Souza (2012), 38 no “Meu Dicionário de Cousas da Amazônia”, de Morais (2013), 22 no “Dicionário do Nordeste”, de Navarro (2004), 15 no “Super Dicionário de Cearês”, de Pontes (2000) e 7 no “Dicionário de Cearês: termos e expressões populares do Ceará”, de Gadelha (2000). No tocante à origem, 29 lexias pertencem às famílias do Tupi e 23 ao Latim; 84 são simples, 33 são classificadas por Ferreira (2009) como brasileirismos, 32 são específicas da Amazônia, 1 do Pará, 2 de origem popular e 19 de origem desconhecida. No rol de atlas linguísticos do Norte e do Nordeste, das 87 lexias, 8 foram encontradas no Atlas Linguístico do Amazonas - ALAM e 2 no Atlas Linguístico do Ceará - ALECE.