A questão primária do presente estudo trata da identificação das formas pelas quais o festival de música intitulado Rock in Rio foi capaz de atravessar gerações e, ao longo de mais de trinta anos (1985-2017), com futuros eventos já confirmados, se manter pertinente junto às diferentes juventudes que vivenciaram - e ainda vivenciam - suas diversas edições. O Rock in Rio acumula um total de dezoito edições realizadas, até o momento, em quatro países – Brasil, Portugal, Espanha e Estados Unidos – sendo que o foco deste estudo compreende a realização do festival na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Para isso, seu escopo de desdobra, primeiramente, em uma análise sobre os festivais contemporâneos enquanto um dos principais difusores da música na atualidade, além relevantes mediadores do encontro presencial e da convivência social; e, ainda, como se tornaram símbolos de valores tipicamente associados ao conceito de juventude que, no Brasil, vieram ao encontro de um cenário local que propiciou o surgimento do Rock in Rio. Na sequência, o estudo apresenta informações sobre a abrangência, como também sobre certas peculiaridades inerentes ao festival, junto à aportes teóricos onde dialogam os campos da comunicação, história e memória que refletem o contexto de sua realização. Por último, são apresentados os achados das duas etapas compreendidas no trabalho de campo: (a) uma pesquisa de caráter etnográfico realizada durante a edição de setembro de 2017 do Rock in Rio; e (b) a realização de entrevistas em profundidade com integrantes da audiência da primeira edição do festival, no ano de 1985, junto à representantes da atual geração de jovens, no que concerne à faixa etária, que os acompanharam na ida a uma de suas edições mais recentes, a partir de 2011. Ambas as fases tiveram como objetivo entender o valor simbólico do Rock in Rio para as distintas gerações que compõem a sua audiência até os dias atuais, fator que se mostrou intrínseco à longevidade do festival.