Estudo teórico acerca de ontologias, relacionando sua estrutura (composta por classes, propriedades e instâncias) com o ferramental teórico da Teoria do Conceito de Ingetraut Dahlberg e da Semiótica Discursiva. A pesquisa partiu da premissa de que as ontologias podem ter na Teoria do Conceito uma base segura para serem construídas, de maneira que a informação é entendida por uma perspectiva semântica. No entanto, formulou-se a hipótese de que, caso as ontologias tomassem como fundamento o ferramental teórico da Semiótica Discursiva, seria possível obter maior subsídio teórico e, consequentemente, possibilitar a construção de ontologias mais eficazes, que possibilitassem uma melhoria tanto no uso das ontologias para representação do conhecimento quanto para a interoperabilidade entre sistemas diferentes, considerando que a abordagem da informação como discurso atua a partir dos fundamentos do fenômeno da significação, ou seja, é mais aprofundada que a abordagem semântica através da qual as ontologias são atualmente construídas. Assim, procurou-se responder à seguinte questão-foco: como a Semiótica Discursiva pode contribuir para a compreensão e construção de ontologias? Diante disso, a pesquisa, bibliográfica e descritiva, foi realizada em quatro fases: a primeira, de revisão bibliográfica; a segunda, cujo objetivo foi entender como a Teoria do Conceito se relaciona à estrutura e construção das ontologias e como essa mesma estrutura pode se adequar aos conceitos trazidos pela Semiótica Discursiva; a terceira, com o desenvolvimento de duas ontologias, uma com base na Teoria do Conceito e outra com base na Semiótica; e a quarta, em que foi realizada uma comparação entre as duas abordagens teóricas e as duas ontologias, procurando destacar as diferenças e similaridades existentes entre elas. Ao fim, concluiu-se que a hipótese formulada é válida, porém com algumas ressalvas: as ontologias fundamentadas na Semiótica Discursiva, apesar de poderem ser construídas e utilizadas, possuem como característica marcante elementos de nomeação arbitrária e pouco comum, de modo que podem não obedecer completamente aos critérios a que uma ontologia deve atender (possuindo reúso dificultado, por exemplo). No entanto, ainda assim, a Semiótica certamente contribui para entender melhor esses sistemas de organização em sua estrutura e no que concerne aos conceitos que são neles inseridos.