O presente estudo pretende compreender e analisar as características da linguagem
musical das bandas de rock brasileiro das décadas de 1960 e 1970, formando a hipótese
de que esse movimento, dentro de um contexto político e social da época, possibilitou a
concepção de uma sonoridade impar, que, por sua vez, contribuiu para a formação de uma
identidade contracultural no país. Nesse período, os artistas de rock se colocaram em
contraposição ao regime militar de uma maneira transgressora envolvida nas atitudes
comportamentais e musicais dos grupos que caracterizaram naquele momento um ato
subversivo à censura e à repressão. No entanto, os músicos não se aliaram às propostas
de setores de resistência ao regime, em contexto em que buscavam uma arte engajada
politicamente que abarcasse apenas uma música, segundo eles, genuinamente brasileira.
Outra questão importante é que os grupos fizeram parte da indústria musical no Brasil,
porém, em alguns casos, se colocaram à margem desta, devido à incorporação de
elementos sonoros híbridos como a música erudita e também de diversas regiões do país,
fazendo com que parte da sociedade brasileira não compreendesse os ideais dos roqueiros.
Os artistas mencionados nesse trabalho são Os Mutantes, Tutti-Frutti, Novos Baianos, O
Terço, Módulo 1000, Os Brazões, Brazilian Octopus, Som Imaginário, Sá, Rodrix e
Guarabyra, Raul Seixas, Liverpool, Bixo da Seda, A Bolha, Almôndegas, Secos &
Molhados, Moto Perpétuo, Rita Lee, Arnaldo Baptista, Ney Matogrosso, Gerson Conrad,
A Barca do Sol, Perfume Azul do Sol, Guilherme Arantes, Som Nosso de Cada Dia, Casa
das Máquinas, Made in Brazil, Terreno Baldio, Joelho de Porco, Ave Sangria, Cezar de
Mercês, O Peso, Recordando o Vale das Maçãs, Vímana, Spin, Veludo e Apokalypsis.
Para melhor entendimento da sonoridade contracultural no Brasil, a metodologia de
análise utilizada, será a do musicólogo Philip Tagg. A sonoridade analisada através de
diversas músicas de rock gravadas no período em questão será contextualizada
transversalmente pelos conceitos de território e desterritorialização.