Nesta tese, situada na área de Linguística Aplicada do Programa de Pós-Graduação em
Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina e na linha de pesquisa “Ensino e
aprendizagem de língua estrangeira/segunda língua”, trato do espaço para a cultura da América
Hispânica na Educação Profissional e Tecnológica, no Instituto Federal de Educação, Ciência
e Tecnologia de Santa Catarina, a partir de um olhar para o ensino de espanhol. As bases teóricas
para a discussão se assentam nos pressupostos da Linguística Aplicada Crítica (MOITA LOPES,
2016), a qual, ao estreitar a relação entre língua, cultura e identidade, oportuniza uma discussão
sobre aspectos culturais da América Hispânica no ensino de espanhol, que refletem
representações sobre identidades culturais hispano-americanas construídas por professores e
alunos. Também mobilizo teorizações da Perspectiva Intercultural (MENDES, 2004), que
defende um projeto pedagógico para o ensino de língua como cultura, e dos Estudos Culturais
(HALL, 2014, 1997a, 1997b), que discutem os processos simbólicos envolvidos na construção
de representações sobre identidades culturais. Mobilizo essas bases teóricas para realizar uma
análise das representações que alunos e professores constroem sobre a pluralidade cultural
hispano-americana, suas implicações no ensino de espanhol na Educação Profissional e
Tecnológica e a relevância de se tratar essa pluralidade a partir da perspectiva da
decolonialidade (MIGNOLO, 2010) do saber e do poder. Os dados que sustentam a pesquisa
foram produzidos mediante entrevistas semiestruturadas gravadas com seis professores e
questionários aplicados a 29 alunos do IFSC. Também examino documentos institucionais
norteadores do ensino de espanhol deste curso – Projeto Político-Pedagógico e Planos de Ensino
– a fim de verificar o espaço conferido à cultura da América Hispânica. Os dados produzidos
pela entrevista, questionário e pesquisa documental foram submetidos a uma análise
interpretativista, a partir dos referenciais teóricos mobilizados. Os resultados desta investigação
doutoral indicam que: os aspectos culturais da América Hispânica carecem de maior
protagonismo nos documentos norteadores do curso; os professores valorizam e abordam a
pluralidade cultural hispano-americana; os alunos, embora construam, predominantemente,
uma representação positiva sobre a América Hispânica, parecem possuir essencialmente
conhecimentos superficiais e restritos ao que é trivializado pelos meios de comunicação de
massa.