Pesquisas têm sido realizadas para elucidar fatores relacionados ao desempenho escolar
na Educação Básica brasileira que, ao ser avaliado por meio de mecanismos internos e
externos, ainda se mostra aquém de patamares de qualidade. Ênfase tem sido dada não
apenas aos aspectos cognitivos, mas também aos aspectos afetivos que podem estar
associados à aprendizagem. Neste sentido, a presente pesquisa, de caráter descritivocorrelacional,
teve como objetivos identificar os componentes da regulação emocional
de alunos do Ensino Fundamental I de escolas públicas de dois estados brasileiros (Rio
Grande do Norte e São Paulo), buscando elucidar diferenças em função do sexo, da
idade, da região de moradia e do histórico de reprovação dos participantes; descrever as
diferenças no desempenho escolar nas disciplinas de Português e Matemática de
estudantes do Ensino Fundamental I, em comparação com as variáveis
sociodemográficas de interesse do estudo e examinar possíveis relações entre os
diferentes componentes da regulação emocional e o desempenho escolar apresentado
pelos alunos nas disciplinas de Português e Matemática, bem como entre tais
componentes e sexo, idade, ano escolar, região de moradia e histórico de reprovações
dos participantes. Compuseram a amostra do estudo 133 estudantes, de ambos os sexos,
com idades entre 7 e 12 anos, matriculados do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental I de
escolas públicas das cidades de Natal/RN e Cubatão/SP. Foram utilizados dois
instrumentos: uma ficha de caracterização dos participantes, desenvolvida para esta
pesquisa e a Escala de Avaliação da Regulação Emocional para Estudantes do Ensino
Fundamental (ERE-EF). O primeiro instrumento possibilitou a coleta de dados
sociodemográficos dos participantes, tais como sexo, idade, ano escolar e região de
moradia, bem como informações sobre o desempenho apresentado nas disciplinas de
Português e Matemática e sobre o histórico de reprovação dos participantes. A ERE-EF
teve como finalidade identificar como os participantes se relacionavam com as próprias
emoções, mapeando quatro diferentes aspectos da regulação das emoções básicas de
tristeza, raiva, medo e alegria em crianças: a percepção que os alunos tinham da emoção
em si e nos outros, quais os motivos associavam ao surgimento delas, como lidavam
com as emoções vivenciadas (modificando-as ou mantendo-as) e o caráter prejudicial
que as emoções assumiam para os respondentes do instrumento. Os resultados
apontaram para relações entre os diferentes aspectos da regulação emocional e sexo,
região de moradia, ano escolar e incidência de reprovação dos estudantes. O uso de
estratégias de regulação da tristeza correlacionou-se significativamente à idade dos
participantes. Evidenciaram-se, também, algumas relações significativas entre as
emoções e o desempenho escolar dos estudantes da amostra. Espera-se que os achados
desta pesquisa contribuam para o avanço no conhecimento sobre a temática abordada e
para o fomento de novas investigações que abordem as variáveis de interesse deste
estudo. Também almeja-se ressaltar a importância da realização de intervenções
voltadas à promoção do uso de estratégias de regulação emocional pelos estudantes do
Ensino Fundamental.