O presente estudo trata de uma pesquisa qualitativa com abordagem fenomenológica, e surgiu a partir do meu trabalho como professora de Educação Física em contato com crianças com autismo, da Educação Infantil ao terceiro ano do Ensino Fundamental I. A pergunta norteadora a partir de minhas inquietações foi: Quais os desafios para as práticas realizadas por professores de Educação Física com crianças com Transtorno Espectro Autista? O objetivo desse estudo é analisar as práticas realizadas por professores de Educação Física com crianças com Transtorno Espectro Autista, observando quais são os desafios, dificuldades e possibilidades, compreendendo de que maneira essas práticas atendem de forma efetiva as necessidades das crianças a partir das suas condições. Foram sujeitos da pesquisa, quatro professores de Educação Física que atuam da Educação Infantil ao terceiro ano do Ensino Fundamental I, com crianças com Transtorno Espectro Autista na escola comum, em duas escolas municipais de Campo Grande - MS. Utilizamos como instrumentos para o estudo, a observação, questionário fechado e a entrevista com os sujeitos. A partir dos estudos, leituras e da pesquisa realizada, a essência do fenômeno nos revela a angústia de alguns professores em seu trabalho com crianças TEA nas aulas de Educação Física, evidenciando em suas falas, desafios que vão desde a formação inicial defasada em relação ao conhecimento específico necessário para essa atuação, que continua nas formações continuadas após a sua formação, e a infraestrutura que acentua ainda mais as dificuldades para essa atuação, comprometendo o processo de ensino e aprendizagem dessas crianças, consequentemente impedindo o processo de inclusão efetivo e de qualidade. Essas foram as categorias abertas emergidas das falas dos sujeitos e após as análises e reduções, nos levam à reflexão: Infraestrutura, Formação inicial e continuada, e a falta de conhecimento das Especificidades e Necessidades, categoria essa última, que compreendemos estar diretamente relacionada à formação inicial e continuada. Assim, podemos considerar que essa questão deve ser tratada a partir de ações de corresponsabilidade, que envolve a competência e ação das Universidades, Órgãos públicos e políticas públicas, Secretarias, Gestão escolar, e toda sociedade, que deve também sentir-se parte e de alguma maneira responsável por esse acesso que chamamos inclusão.