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Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
LETRAS- LINGUAGEM E IDENTIDADE (11001011003P0)
Educação Presencial
CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS EM ENUNCIADOS DE “SERINGUEIROS/AS ACREANOS/AS”
AIRTON SANTOS DE SOUZA JUNIOR
DISSERTAÇÃO
16/06/2020

Ao compreendermos o fenômeno da linguagem enquanto a habilidade que nos permite nos comunicarmos por meio de uma língua (MARTELLOTA, 2012), somos levados ao fato de que a linguagem é uma capacidade unicamente humana (CHOMSKY 1980, 2014; FIORIN, 2015; GUSDORF, 1976; KAIL, 2013; KUHL; DAMASIO, 2014). Capacidade esta que, segundo Hall (2016), encontra-se atrelada não somente à comunicação, mas nos permite ainda representar ao outro a forma como encaramos o mundo à nossa volta, nossos valores, costumes, cultura e identidades. Nesse sentido, entendendo a linguagem como uma prática social historicamente situada, tendo sua realização concreta e efetiva por meio do enunciado produzido em contextos reais de uso e interação (BAKHTIN, [1979] 2011; BRAIT, 2014; MOITA LOPES, 2006; VOLÓCHINOV, 2017), propomos como objetivo neste estudo analisar, por meio da Linguística Aplicada transdisciplinar/indisciplinar, o que os enunciados presentes nas obras organizadas por Luisa Galvão Lessa (2002a), (2002b), (2002c) podem fornecer em relação às representações construídas acerca do conjunto de práticas, identidades e cultura do “seringueiro/a acreano/a”. Para isso, realizamos uma pesquisa de natureza qualitativa (SILVA, 2015), nos valendo de uma abordagem documental indireta (MARCONI; LAKATOS, [1983] 2012), tendo como fonte as obras A linguagem falada no vale do Acre, A linguagem falada no vale do Purus e A linguagem falada no vale do Juruá, organizadas pela Professora Dra. Luisa Galvão Lessa e publicadas no ano de 2002. Direcionamos nosso olhar pelo prisma da Linguística Aplicada transdisciplinar (RAJAGOPALAN, 2006; ROJO, 2006) e indisciplinar (MOITA LOPES, 2006), mobilizando conceitos (enunciado, identidade, cultura e representação) operados no campo das Teorias do Discurso e dos Estudos Culturais (BAKHTIN, [1979] 2011; BAUMAN, 2005; BHABHA, 1998; BRAIT, 2014; CHAUÍ, 2008; FERNANDES, 2006; FOUCAULT, 1999; HALL, 2006, 2016; MOITA LOPES, 2002, NOVAES, 1993; VOLÓCHINOV, 2017). A análise nos possibilitou perceber a necessidade que há em se explorar a identidade do “seringueiro/a” a partir dos enunciados produzidos pelos sujeitos denominados através desse termo, pois, considerando que a identidade é um conceito que a todo o momento nos interpela (BAUMAN, 2005; LOURO, 2000), mostra-se importante também voltarmos nossa atenção para o posicionamento dos sujeitos em relação às identidades. Além disso, mais que problematizar o termo “seringueiro/a”, revelando, entre outras coisas, suas limitações a partir das conotações expressas pela sua estrutura morfológica, chamamos atenção para o fato de que o sujeito da década de 1990, classificado como “seringueiro/a acreano/a”, não é somente aquela pessoa responsável pelo trabalho com a seringueira (Hevea brasiliensis), coleta e produção da borracha, mas é também o sujeito que corta seringa e tem seu plantio de roçado, que prefere a agricultura em detrimento da seringa, que encara a floresta como provedora, fonte de subsistência e mistérios, que declara abertamente não gostar de ser “seringueiro/a”, da vida e trabalho no seringal. De modo que desconsiderar tudo isso e insistir na classificação desses sujeitos como seringueiros/as acreanos/as”, tomando como referência tão somente a naturalidade e ofício, é negar o direito à voz, historicidade e identidade de tais sujeitos.

“Seringueiro/a acreano/a”;Linguagem(ns);Identidade(s);Representação(ões).
When we comprehend the phenomenon of language as the ability that allows us to communicate through a language (MARTELLOTA, 2012), we are led to the fact that language is a capacity unique of human beings (CHOMSKY 1980, 2014; FIORIN, 2015; GUSDORF, 1976; KAIL, 2013; KUHL; DAMASIO, 2014). This ability, according to Hall (2016), is linked not only to communication, but also allows us to represent to others the way we face the world around us, our values, customs, culture and identities. In this sense, understanding language as a historically situated social practice, having its concrete and effective realization through the statement produced in real contexts of use and interaction (BAKHTIN, [1979] 2011; BRAIT, 2014; MOITA LOPES, 2006; VOLÓCHINOV, 2017), we propose as an objective in this study, to analyze, through Applied Linguistics, transdisciplinar and indisciplinary what the statements present in the works organized by Luisa Galvão Lessa (2002a), (2002b), (2002c) can provide in relation to the representations constructed about the set of practices, identities and culture of the “rubber tapper from Acre”. To this, we conducted a qualitative research (SILVA, 2015), using an indirect documentary approach (MARCONI; LAKATOS, [1983] 2012), having as source the works “A linguagem falada no vale do Purus” and “A linguagem falada no vale do Juruá”, organized by the Professor Dra. Luísa Galvão Lessa and published in the year of 2002. We direct our look through the prism of transdisciplinary Applied Linguistics (RAJAGOPALAN, 2006; ROJO, 2006) and indisciplinary (MOITA LOPES , 2006), mobilizing concepts (statement, identity, culture and representation) operated in the field of Discourse Theories and Cultural Studies (BAKHTIN, [1979] 2011; BAUMAN, 2005; BHABHA, 1998; BRAIT, 2014; CHAUÍ, 2008; FERNANDES, 2006; FOUCAULT, 1999; HALL, 2006, 2016; MOITA LOPES, 2002, NOVAES, 1993; VOLÓCHINOV, 2017). The analysis enabled us to realize the need to explore the identity of the “rubber tapper” based on the statements produced by the subjects enunciated through this term, because, considering that identity is a concept that constantly challenges us (BAUMAN , 2005; LOURO, 2000), it is also important to turn our attention to the position of the person in relation to identities. In addition, more than problematizing the term “rubber tapper”, revealing, among other things, its limitations based on the connotations expressed by its morphological structure, we call attention to the fact that the subject of the 1990s, classified as “acreano/a seringueiro/a”, is not only that person responsible for working with the rubber tree (Hevea brasiliensis), collecting and producing the rubber, but also the person who cuts the syringe and has his swidden plantation, who prefers agriculture rather than the syringe, which sees the forest as a provider, source of livelihood and mysteries, who openly declares that he does not like being a “rubber tapper”, the life and work in the rubber plantation. So that to disregard all this and insist on the classification of these subjects as “rubber tappers from Acre”, taking as reference only the naturalness and craft, is to deny the right to voice, historicity and identity of such subjects.
“Acrean rubber tapper”;Language (s);Identity (s);Representation (s)
1
175
PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
O trabalho possui divulgação autorizada
Dissertação Airton Santos.pdf

Contexto

Linguagem e Cultura
LÍNGUA(GENS) E FORMAÇÃO DOCENTE
A construção argumentativa do discurso ambiental em gêneros textuais diversos

Banca Examinadora

PAULA TATIANA DA SILVA ANTUNES
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
JUCIANE DOS SANTOS CAVALHEIRO Docente - PERMANENTE
PAULA TATIANA DA SILVA ANTUNES Docente - PERMANENTE
GRASSINETE CARIOCA DE ALBUQUERQUE OLIVEIRA Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - Programa de Demanda Social 24

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim
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