A presente Tese teve como objetivo desenvolver um ensaio teórico sobre a importância da
patogênese da COVID-19 na pesquisa em Medicina Periodontal, e realizar uma síntese das
evidências científicas sobre a relação entre obesidade e periodontite, a importância da PCR
enquanto biomarcador de impacto sistêmico da periodontite, e os efeitos da bacteremia e
endotoxemia por patógenos periodontais e suas toxinas no fígado. Desenvolvemos uma
pesquisa bibliográfica sistematizada e de delineamento misto, cujos objetivos foram explorados
em estudos individuais apresentados em seis capítulos. Os resultados sugerem que a COVID19 e periodontite compartilham mecanismos de patogênese e fatores de risco que podem
influenciar os estudos em Medicina Periodontal. Os efeitos da obesidade na periodontite
parecem estar relacionados com o aumento de biomarcadores inflamatórios e complicações
associadas às desordens no metabolismo da glicose. Existem evidências da associação entre
obesidade e parâmetros clínicos periodontais, resistina e IL-1b no FCG, bem como de melhora
da pressão arterial, colesterol total, LDL, triglicerídeos, HbA1c, resistência insulínica, PCR, IL1β, TNF-α e C3 no sangue, quemerina, vaspina, omentina-1, visfatina, e 8-OHdG no FCG após
o tratamento da periodontite. Alguns patógenos periodontais também reduziram em quantidade.
As evidências atuais confirmam a redução de PCR após o tratamento da periodontite em
pacientes com diabetes tipo 2, pré-hipertensão e hipertensão arterial, e insuficiência renal
submetidos a hemodiálise e/ou diálise peritoneal. Além do aumento de PCR, o fígado
desenvolve doença NAFL, NASH e fibrose avançada por ação direta de patógenos periodontais
e LPS bacteriano, a partir da corrente sanguínea e do eixo boca-intestino-fígado. Casos graves
de patologia hepática foram associados à bacteremia por patógenos bucais. Portanto, a
obesidade e a avaliação hepática devem ser consideradas em novas pesquisas e na prática clínica
em Medicina Periodontal. A evidência de associação entre a periodontite e níveis séricos de
PCR reforça seu papel como biomarcador de risco sistêmico, e os efeitos da COVID-19 na
patogênese das doenças periodontais e sistêmicas devem ser considerados.