Esta dissertação está contextualizada nos estudos de cognição social e buscou compreender
crenças de responsáveis por Programas de Compliance, acerca do engajamento ético dos
colaboradores com os pilares do Programa de Integridade. Neste sentido, a pergunta problema
consiste em “Quais as crenças dos Compliance Officers sobre o engajamento ético dos
colaboradores com o Programa de Integridade da empresa?” e o objetivo geral é “Conhecer as
crenças que os Compliance Officers possuem a respeito de como os colaboradores estão
engajados eticamente com os pilares do Programa de Integridade de suas empresas”. A
concepção dos Programas de Integridade deve ser compreendida como um ecossistema
catalizador de uma cultura de valores nas empresas, que visa promover um ambiente íntegro e
transparente, que busca o bem comum e a concretização da função social da empresa. Assim,
pretende-se que os resultados possam contribuir para futuras análises, reflexões e intervenções
que visam a implementação e monitoramento de Programas de Integridade mais eficazes.
Como fundamento teórico, apresentou-se os conceitos de Programas de Integridade, Cognição
Social, Crenças, Engajamento, Moral e Ética, abordando consecutivamente outros construtos
como moralidade humana, eticidade e noções sobre verdade e valores – substratos teóricos que
foram fundamentais no desenvolvimento do trabalho. Metodologicamente, trata-se de uma
pesquisa empírica, qualitativa, comparativa e descritiva, constituída pela participação de 06
Compliance Officers escolhidos por meio de amostra de conveniência que atuam em empresas
multinacionais. Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram um questionário
sociodemográfico e uma entrevista em profundidade, semidirigida, com três questões abertas
sobre o tema investigado, a qual foi realizada por meio virtual. A partir dos relatos analisados
por meio da técnica de análise de conteúdo, a pesquisadora observou que quanto maior o
investimento em (i) estratégias diferenciadas de comunicação e treinamentos, (ii) técnicas que
coloquem o departamento de compliance próximo e acessível por meio de ações inovadoras,
práticas, objetivas e frequentes, (iii) apoio de líderes e (iv) transparência quanto aos métodos e
objetivos da organização e da própria área de compliance, maiores são as crenças de que haveria
possibilidade de obter engajamento ético dos colaboradores e de se promover uma cultura de
integridade, mitigando situações de desalinhamento, resistência, desconfiança e incompreensão
que levam ao descumprimento de regras, códigos de ética e políticas corporativas.