O objetivo desta tese foi investigar de que forma a tecnologia tem sido utilizada pelos
espaços educativos não formais, especificamente o Museu do Amanhã, em ações de
divulgação científica. O Museu do Amanhã é um museu inovador, altamente tecnológico
e um dos museus mais visitados no Brasil e no mundo, mesmo que de forma virtual. A
tecnologia, mesmo antes da pandemia, já vinha sendo um tema de destaque nos espaços
formais de ensino, como também nos espaços não formais. Nesse sentido, foi realizada
uma revisão sistemática em periódicos com qualis A1 e A2, na área de Ensino de
Ciências, em língua portuguesa, no período de 2015 a 2019. Este estudo teve como
objetivo investigar como a tecnologia tem sido utilizada em museus. Os trabalhos
encontrados foram agrupados em categorias com recurso à análise de conteúdo. Como
resultado não foram encontrados estudos que articulassem a tecnologia e os espaços
museais. Devido à situação da pandemia, com a suspensão das atividades no Museu do
Amanhã, o trabalho de campo ficou impossibilitado, por isso, procedeu-se a análise do
canal do YouTube e do perfil do Instagram do Museu do Amanhã, para entender de que
forma o Museu continuou interagindo com o público e que atividades foram realizadas.
Assim, o estudo foi realizado em duas fases: a análise das redes sociais, para tal, recorreuse à netnografia; e das exposições permanentes do Museu do Amanhã. Os recursos
audiovisuais das exposições foram analisados através das imagens, com recurso à
semiótica, para as imagens estáticas, e à análise fílmica para as imagens dinâmicas. As
exposições Antropoceno, Cosmos e Terra integram a exposição permanente do Museu do
Amanhã. O Antropoceno, exposição que leva o visitante a refletir sobre ações que podem
reduzir os impactos ambientais, é composta por totens com sequências de imagens e
textos sob a ótica dos antecedentes desta nova era e suas evidências contemporâneas.
Cosmos, exposição que aborda a visão que somos feitos da mesma matéria que as estrelas,
nos conectamos com o Universo e com as nossas origens, é composta por um vídeo
visualizado no interior de um domo. Terra, exposição que relaciona matéria, vida e
pensamento com o planeta através de três cubos com diferentes recursos tecnológicos. Os
resultados mostraram que as informações expostas nas exposições destacam impactos no
planeta. As cores e sons utilizados são estratégicos para chamar a atenção dos visitantes,
no sentido de sensibilizá-los sobre a importância da mudança de atitude frente a
problemática ambiental. Verificou-se um decréscimo do número de publicações sobre
museus, ao longo do período analisado, e um discreto, mas não significativo, aumento de
publicações na área da tecnologia. Acerca do uso específico da tecnologia em museus não
foi encontrada nenhuma publicação. Durante a pandemia, no período em que o museu
esteve fechado, os recursos tecnológicos foram fundamentais para o processo de
continuidade das atividades de divulgação científica e, permitiu que a interação com o
público fosse mantida, sobretudo, através das mídias sociais. A tecnologia, um tema
importante e de grande impacto social, vem sendo usada pelo Museu do Amanhã como
forma de criar uma maior interatividade com os visitantes, bem como estratégia para
divulgar o conhecimento científico a partir de diversos recursos, como por exemplo, as
imagens e os sons.