Esta tese é composta por 5 artigos científicos e 1 produto técnico. O primeiro artigo científico, é uma revisão sistemática sobre a eficácia de tratamentos para alívio dos sinais e sintomas da erupção de dentes decíduos. Foram incluídos estudos clínicos que avaliaram o efeito de qualquer intervenção para aliviar os sinais e sintomas associados à dentição em bebês e crianças. O risco de viés foi avaliado usando as ferramentas ROB-2 e ROBINS-I. Foram selecionados 5 artigos, classificados como alto ou grave risco de viés respectivamente. Três estudos usando
homeopatia relataram melhora nos distúrbios do apetite, desconforto nas gengivas e excesso de salivação. Um estudo mostrou que um novo gel com ácido hialurônico foi mais eficaz do que um gel anestésico na melhora de sinais e sintomas como dor, vermelhidão gengival e má qualidade do sono. Outro estudo selecionado aplicou tratamentos não farmacológicos, que se mostraram mais eficazes, principalmente contra o excesso de salivação. O segundo artigo avaliou as práticas clínicas adotadas por odontopediatras (OPs) frente aos sinais e sintomas da erupção dos dentes decíduos e a influência do tempo de formado e de especialista no autorrelato (AR) de segurança na adoção de tais medidas. Aplicou-se um questionário online aos OPs. Coletaram-se dados sobre tipo de prática, relato de eficácia, fonte de conhecimento sobre o tema, segurança na prática adotada, tempo de formado e tempo de
especialista. Realizaram-se análises descritivas e inferenciais (teste X2, α=0,05). Foram 451 respondentes. Mordedores gelados (96,8%); alimentos congelados (69,1%) e massagem digital (58,3%) foram os mais prescritos e considerados eficazes (78,2%, 30,3% e 28,8%, respectivamente). Livros de odontopediatria (58,9%), curso/congresso (56,3%) e experiência profissional (40,7%) foram as fontes de conhecimento mais citadas. O tempo médio de formado dos OPs foi 18,4±11,3 anos, sendo 13,1±11,0 anos de especialista. A maioria sente-se seguro (79,6%) no tratamento dos sinais e sintomas da erupção dentária, mas 93,1% sentem falta de estudos científicos sobre o tema. O tempo de formado (p=0,12) e o de especialista (p=0,90) não influenciaram no AR de segurança na prática adotada. O terceiro artigo analisou a composição molecular de uma amostra de âmbar báltico, verificou-se a presença ou ausência de compostos benéficos à saúde humana e discutiu o potencial terapêutico dessa resina fóssil. Para isso, foi realizada uma análise qualitativa por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (sistema GC-MS), que é capaz de realizar uma separação automatizada em componentes individuais do âmbar. As amostras eram compostas por terpenos e terpenóides: monoterpenóides; sesquiterpenóides; diterpenóides; hidronaftaleno; ácido succínico e ácido isopimárico. Estes componentes têm potencial terapêutico para várias doenças; inibem várias fases do processo inflamatório e tem efeitos analgésicos. No quarto artigo analisouse e avaliou-se a qualidade, confiabilidade e visualizações dos vídeos disponibilizados no Youtube® como fonte de informação, relacionados ao uso terapêutico do colar de âmbar para bebês durante o período de erupção dentária. Uma busca no YouTube®, foi realizada no dia 23 de agosto de 2022. O termo escolhido para a busca foi "colar de âmbar para bebê" no site Google Trends®. Como critério de inclusão, os vídeos deveriam conter informações sobre o uso do colar de âmbar como terapia para diminuir os sintomas da erupção dentária em bebês. Os vídeos foram analisados quanto à confiabilidade das informações, com base em uma escala de 5 pontos, adaptada da ferramenta DISCERN, e quanto à qualidade com a ferramenta Global Quality Score (GQS), que varia de 1- má qualidade a 5- excelente qualidade. Foram encontrados 22 vídeos com o termo de busca, dos quais 15 foram selecionados. A frequência de qualidade GQS “1” foi a mais alta e observou-se que houve diferença de qualidade entre as origens dos vídeos (p<0,05). As fontes provenientes de jornais e profissionais de saúde foram iguais e melhores (p=0,002) na escala de confiabilidade, quando comparadas aos outros grupos como Opiniões e Fontes de marketing. No quinto artigo objetivou-se identificar os possíveis benefícios da resina de âmbar na sintomatologia da fase de erupção dentária dos bebês, através de um estudo clínico preliminar observacional. Foram incluídos bebês de ambos os gêneros,
com idade entre 8 e 36 meses que já tivessem pelo menos um dente da dentição primária em erupção. A amostra foi composta por 3 grupos: 1. Grupo que não usou nenhum tratamento (controle); 2. Grupo que usou a pulseira placebo e 3. Grupo que usou a pulseira de âmbar. Os sintomas da dentição mais frequentes na linha de base (t1) foram coceira, inchaço e irritação; após o tratamento foram os mesmos, acrescido de vermelhidão. Houve diferenças de frequência, com diminuição dos sintomas, entre os grupos, para as manifestações clínicas irritação e coceira. A segunda etapa consistiu na criação de um vídeo, na plataforma de criação de vídeos PowToon®, informativo para os responsáveis, sobre a fase de erupção dentária. No vídeo procurou-se abordar sobre a sequência comum de erupção dentária, os principais sinais e sintomas e possíveis tratamentos não farmacológicos para alívio dessa fase
que gera muitas dúvidas nos responsáveis. Pode-se concluir com os estudos que algumas terapias não farmacológicas podem ter um efeito favorável sobre os sinais e sintomas relacionados à dentição. No entanto, conclusões definitivas sobre sua eficácia não podem ser tiradas, devido à certeza muito baixa das evidências. Pesquisas primárias, intervencionais sobre o assunto são escassas, heterogêneas e tem falhas metodológicas; a prescrição de tratamentos não farmacológicos para a dentição decídua é uma prática comum entre os odontopediatras, e seu auto relato de segurança no uso de tais medidas não está associada ao tempo decorrido após a graduação e especialização; o âmbar da amostra testada no terceiro estudo, é formado por terpenos e terpenóides, substâncias com propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. Entretanto, é necessário um estudo aprofundado sobre a liberação e absorção de substâncias na pele humana, ou seja, atentar a sua real eficácia; Vídeos assistidos através da plataforma do YouTube®, ainda que postados por profissionais e veículos de comunicação, não possuem embasamento científico suficiente sobre o assunto quando se fala sobre o âmbar e seu uso para saúde, o que implica baixa confiabilidade e segurança da informação. Nesse sentido, estudos clínicos controlados, com maior número de participantes, sobre os reais benefícios do uso da resina de âmbar para bebês no período de erupção dentária, são fundamentais e devem ser realizados, a fim de consolidar as evidências sobre o assunto e reais
benefícios para a saúde. Da mesma forma que o vídeo criado serve como informação aos pais sobre a fase de erupção dentária, e que foi baseado no que foi encontrado em evidências científicas. Após a realização da presente tese, observou-se que não existem muitos estudos que abordem sobre os tratamentos mais eficazes para essa fase na vida do bebê.