A partir da década de 1970, observa-se um processo ambientalização em nível global e nacional, que resultou na criação de diversos órgãos, leis, acordos, tratados e protocolos ambientais e estabeleceu uma forma de governança ambiental. Esse processo e, em particular o crescente reconhecimento da mudança climática como um problema público global e uma emergência coletiva, vem influenciando a atuação dos atores do sistema internacional e dos governos nacionais, gerando pressão sobre práticas que causam degradação ambiental, exploração excessiva de recursos naturais e emissões de gases de efeito estufa (GEE). Um dos setores centrais desse debate, pela sua atuação internacional, nacional e implicações em torno das políticas climáticas, é o agronegócio. Nesse contexto, esta pesquisa visa analisar o processo de ambientalização do agronegócio brasileiro, tendo como foco a pauta climática. Assim, busca compreender a influência deste setor na determinação de políticas públicas – principalmente aquelas impulsionadas pela lógica da compensação e a métrica do carbono. Para atingir esse objetivo, a pesquisa utilizou como metodologia o estudo de caso do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (2010; 2021), conhecido como Plano ABC. Além disso, utilizou a análise documental, a partir de documentos oficiais do governo brasileiro, de organizações internacionais e organizações não governamentais, a pesquisa bibliográfica utilizou como referencial teórico os conceitos de ambientalização, modernização ecológica, agronegócio, agricultura de baixo carbono, consenso da descarbonização, e métrica do carbono, além de outros complementares. Entrevistas com pessoas ligadas à academia, a Embrapa e aos movimentos sociais também foram realizadas. A partir disso, a pesquisa concluiu que a adoção de políticas reducionistas não gera mudanças profundas e, portanto, não enfrenta de forma adequada a crise climática e/ou as implicações geradas pelo modelo produtivo do agronegócio, como os conflitos no campo ou o uso de agrotóxicos. Por outro lado, foi visto que a adoção de políticas nesse sentido garante legitimidade e prestígio ao setor do agronegócio e ao governo brasileiro no âmbito nacional e internacional.