As abelhas são efetivas polinizadoras de diferentes espécies, seja da flora nativa, quanto de plantas de interesse agrícola, e exercem importantes funções ecológicas no ambiente, entre as quais, o serviço de polinização. O objetivo do estudo foi descrever a estrutura da comunidade de abelhas em áreas com diferentes coberturas do solo no município de Alegre, região sul do Espírito Santo. As coletas foram realizadas em seis áreas selecionadas no Instituto Federal do Espírito Santo – campus de Alegre, município de Alegre, sul do Espírito Santo, entre setembro de 2022 e junho de 2023, sendo três coletas na estação chuvosa (setembro a março) e três coletas na estação seca (abril a junho). Duas metodologias foram empregadas para a amostragem de abelhas, rede entomológica e iscas aromáticas. Registros das plantas visitadas pelas abelhas foram feitos por meio de imagens, para posterior identificação. Os índices ecológicos calculados foram diversidade de Shannon Wiener, dominância de Berger-Parker, equitabilidade de Pielou. As comunidades de abelhas foram comparadas quanto à similaridade qualitativa pelo índice de Jaccard e quantitativa pelo índice de Bray Curtis. Foram coletadas 3136 abelhas distribuídas em quatro famílias, 16 tribos, 30 gêneros e 72 espécies. As famílias mais ricas foram: Apidae, com 41 espécies, seguida de Halictidae com 20 espécies, Megachilidae com 10 espécies e Andrenidae com uma espécie. Quanto a abundância, Apidae foi a família mais abundante correspondendo a 95% das amostras, seguida de Halictidae com 4%, Megachilidae e Andrenidae que somaram 1% dos indíviduos. No total, 69 espécies de plantas foram identificadas, distribuídas em 24 famílias botânicas. Fabaceae e Asteraceae apresentaram as maiores riquezas, 13 e 12 espécies, respectivamente. Quanto ao hábito, 35% das plantas são arbustivas (ABT), 35% são herbáceas (HER), 18% são lianas (LIA) e 12% são de hábito árboreo (ABR). Em relação ao tipo, 65% são consideradas espécies de crescimento espontâneo, seguida das espécies agrícolas (EA) com 15%, espécies florestais (EF) com 10%, espécies paisagísticas (EP) com 6%, e espécies medicinais (EM) com 4%. Na análise das interações entre abelhas e plantas, foram registradas 201 interações, sendo que 85 interações (43%) se concentraram em quatro gêneros de abelhas, Exomalopsis (34%), Augochloropsis (28%), Trigona (22%) e Dialictus (16%). A área estudada apresentou uma rica comunidade de abelhas, se destacando Apidae, como a família mais diversa no estudo. A manutenção de fragmentos com vegetação nativa próxima a áreas de cultivo, bem como práticas de diversificação agrícola (sistemas com diferentes culturas), e a presença de plantas de crescimento espontâneo, contribuem para maior riqueza e abundância de famílias de abelhas.