Tratamos neste trabalho a questão da juventude do PA Uirapuru – Município de Nioaque –
MS, abordando as incertezas em viver no assentamento à qual a pesquisa foi realizada,
partindo da preocupação em perceber que a cada dia que passa a população do assentamento
vai se tornando mais envelhecida. Outra razão é a preocupação com o possível fim do
campesinato brasileiro, visto que, não é uma tendência só local, mas também, uma tendência
que assola todos os assentamentos brasileiros, uma vez que os jovens, principalmente as
jovens assentados(as), estão deixando suas famílias nos lotes e buscando, cada vez, mais
alternativas de vida na cidade. Diante disso, desenvolvemos a pesquisa levantando os
principais motivos que têm contribuindo para esse movimento. Como fio condutor, a pesquisa
dialogou com algumas categorias, a fim de compreender, o que vem a ser jovem rural, na
dimensão identitária do sujeito/a “jovem do campo”. Para esta construção, demandou um
estudo bibliográfico, onde buscamos vários teóricos que estudam a categoria Juventude, e em
especial a categoria jovem do campo, foco da pesquisa. Em sua estrutura, organizamos a
dissertação em capítulos, sendo analisado, no primeiro capítulo, as categorias teóricas
metodológicas, com as quais refletimos. No segundo capítulo, apresentamos o lugar da vida
das juventudes, no qual dialogamos com as primeiras pessoas que fizeram parte da luta e
conquista do lugar pesquisado, assim como ao longo do tempo o lugar onde os jovens
começaram a vida foi organizado, considerando assim, suas múltiplas dimensões. No terceiro
capítulo, apresentamos a vida das juventudes que vivem no assentamento, seus projetos
futuros, o problema de sucessão nos lotes, as políticas públicas que garantam a permanência
do jovem no campo, o lazer para a juventude como possível garantia de ficar ou sair. Para o
trabalho de campo, optamos pela abordagem qualitativa, por considerar que se constitui num
processo gratificante para compreensão e interpretação dos dados pesquisados. Apresentamos
entrevistas com as juventudes e pessoas com as quais convivem, como: pais, mães,
professores, pessoas ligadas à escola, ao poder público municipal, à Secretaria Municipal de
Educação, de Cultura e Lazer. Realizamos levantamento tanto por observação empírica,
quanto entrevistas com fontes orais, pautadas em roteiros com perguntas abertas as quais
foram gravadas, transcritas e, posteriormente, apresentadas às pessoas entrevistadas.
Adotamos o procedimento de não identificar os jovens menores de 18 (dezoito) anos, os
identificando através de letras, a fim de preservar suas identidades, porém, identificamos as
pessoas maiores de 18 (dezoito) anos com a devida autorização das mesmas. Como resultado
da pesquisa, os/as jovens mudam-se para a cidade porque não percebem o assentamento, lugar
onde nasceram e cresceram, como o lugar vivência possível. Acreditam que na cidade terão
melhores condições de vida. Assim, o sentimento de pertencimento para a juventude do
campo vem se ressignificando, marcado pelo modelo de globalização excludente,
incentivando o consumismo, criando necessidades cada vez maiores para as juventudes,
impulsionando-as a procurarem as cidades em busca de trabalho e renda. Os lotes, pela baixa
produção, não atendem as necessidades de todos das famílias e a alternativa que encontram é
a deixarem o assentamento, irem em busca de outros lugares.