Resumo:
As mulheres ao longo da história da humanidade estiveram invisibilizadas em suas atuações,
sendo até mesmo esquecidas e ou negadas em sua existência, visto que os relatos
historiográficos falam sobre os homens e seus feitos e suas conquistas. Das mulheres pouco a
literatura falava. A invisibilidade das mulheres se torna maior quando se trata das mulheres no
meio rural, e/ou especialmente daquelas de assentamentos da Reforma Agrária, espaços
oriundos da ação de movimentos sociais, organizações da sociedade com forte presença e
atuação feminina. Por isso podemos ainda dizer que na produção literária, quando se fala das
mulheres, esta se volta ao meio urbano e com recorte de classe e raça, com predomínio de
reflexões sobre mulheres brancas e de classe social mais elevada financeiramente. Para diminuir
as desigualdades sociais as políticas públicas se fazem necessárias, com presença efetiva do
Estado para dar respostas aos problemas existentes, bem como contribuir no desenvolvimento
local colaborando para a geração de renda e vida digna da população em situação de
vulnerabilidade social. Nos assentamentos rurais, oriundos da Reforma Agrária as políticas
públicas possuem um papel de suma importância para as famílias lograrem êxito na terra
conquistada. Com o propósito de ampliar as discussões sobre a atuação de mulheres assentadas,
buscamos ouvir as mulheres que foram acampadas e que passaram a condição de assentadas e
hoje são servidoras públicas nos Assentamentos Itamarati I e II, localizados no município de
Ponta Porã, estado de Mato Grosso do Sul. Ouvimos as vozes femininas deste processo, usando
como metodologia de pesquisa a História Oral e fundamentando nossos pensamentos nas
referências bibliográficas disponíveis sobre o tema, fundamentais para compreendermos os
movimentos e a ascensão das mulheres nos serviços públicos nos espaços dos Assentamentos
Itamarati I e II. Os dados nos mostraram que as políticas públicas lá incorporadas, a começar
pelo processo de criação do assentamento por meio da reforma agrária, transformou a vida das
mulheres entrevistadas, contribuindo para uma vida digna, mudando toda a trajetória de suas
famílias. Isso comprova que quando uma mulher ascende socialmente, toda a sua família
ascende junto. Os dados da pesquisa demonstraram que o acesso à educação e sua continuidade
proporcional foi fundamental para que elas acumulassem condições para se submeterem a
concursos públicos e obterem aprovação. Suas histórias nos mostram como foi para voltaram a
estudar após a conquista da terra, especialmente nos cursos oferecidos pelo Programa Nacional
de Educação na Reforma Agraria/ PRONERA, uma política pública para pessoas de
assentamentos, a qual os dados da pesquisa mostraram ser fundamental para o protagonismo
das mulheres do Itamarati I e II. Os resultados demonstram que as mulheres entrevistadas se
destacando na prestação de serviços públicos para as pessoas assentadas, sendo elas as
ocupantes da maioria dos cargos, acenando para mudanças na condição histórica delas, visto
que buscaram a profissionalização para construírem meios para a autonomia, não só a
financeira, mas de condução de suas vidas e reflete no conjunto das famílias dos próprios
assentamentos. A conquista desses trabalhos significa para elas, servidoras públicas, vindas de
acampamento e assentamento de reforma agrária, um misto de realização e superação, de tantas
jornadas, de batalhas enfrentadas para hoje conseguirem ter uma profissão e uma carreira,
resultando no empoderamento delas. Ao assumirem postos como servidoras públicas estão
potencializando as demandas da comunidade, porque convivem com os problemas locais,
compartilham das mesmas dificuldades e dilemas, ultrapassando a dimensão de um simples
atendimento no ambiente do trabalho.
Abstract:
Las mujeres a lo largo de la historia de la humanidad han sido invisibles en sus acciones,
llegando incluso a ser olvidadas o negadas su existencia, ya que los informes historiográficos
hablan de los hombres y sus hechos y logros. La literatura hablaba poco de las mujeres. La
invisibilidad de las mujeres se hace mayor cuando se trata de mujeres de zonas rurales, y/o
especialmente de asentamientos de la Reforma Agraria, espacios surgidos de la acción de
movimientos sociales, organizaciones de la sociedad con fuerte presencia y acción femenina.
Por tanto, también podemos decir que, en la producción literaria, cuando se habla de mujeres,
se centra en el entorno urbano y con un enfoque de clase y raza, con predominio de reflexiones
sobre mujeres blancas y de clase social más alta económicamente. Para reducir las
desigualdades sociales son necesarias políticas públicas, con una presencia efectiva del Estado
para responder a los problemas existentes, así como contribuir al desarrollo local,
contribuyendo a la generación de ingresos y una vida digna para la población en situación de
vulnerabilidad social. En los asentamientos rurales, surgidos de la Reforma Agraria, las
políticas públicas juegan un papel sumamente importante para que las familias logren el éxito
en las tierras conquistadas. Con el objetivo de ampliar las discusiones sobre el papel de las
mujeres asentadas, buscamos escuchar a mujeres que acamparon, se asentaron y hoy son
servidoras públicas en los Asentamientos Itamarati I y II, ubicados en el municipio de Ponta
Porã, estado de Mato Grosso do Sul. Escuchamos las voces femeninas de este proceso,
utilizando la Historia Oral como metodología de investigación y basándonos en las referencias
bibliográficas disponibles sobre el tema, fundamentales para comprender los movimientos y
ascenso de las mujeres en los servicios públicos en los espacios de los Asentamientos Itamarati
I y II. Los datos nos mostraron que las políticas públicas allí incorporadas, a partir del proceso
de creación del asentamiento a través de la reforma agraria, transformaron la vida de las mujeres
entrevistadas, contribuyendo a una vida digna, cambiando toda la trayectoria de sus familias.
Esto demuestra que cuando una mujer asciende socialmente, toda su familia crece junta. Los
datos de la investigación demostraron que el acceso a la educación y su continuidad
proporcional fue fundamental para que acumularan condiciones para presentarse a concursos
públicos y obtener aprobación. Sus historias nos muestran cómo fue volver a estudiar después
de la conquista de la tierra, especialmente en los cursos que ofrece el Programa Nacional de
Educación en Reforma Agraria/PRONERA, una política pública para personas de
asentamientos, que según datos de investigaciones fue fundamental para el protagonismo de las
mujeres de Itamarati I y II. Los resultados demuestran que las mujeres entrevistadas se
destacaron en la prestación de servicios públicos a los asentados, siendo las ocupantes de la
mayoría de los cargos, señalando cambios en su condición histórica, pues buscaron
profesionalizarse para construir medios de autonomía, no sólo la financiera, sino la forma en
que conducen sus vidas y se refleja en todas las familias de los propios asentamientos. La
consecución de estos empleos significa para ellos, servidores públicos, provenientes de campos
y asentamientos de reforma agraria, una mezcla de conquista y superación, de tantos viajes, de
batallas enfrentadas para poder tener hoy una profesión y una carrera, que resulte en su
empoderamiento. Al asumir cargos como servidores públicos, están potenciando las demandas
de la comunidad, porque viven con problemas locales, comparten las mismas dificultades y
dilemas, yendo más allá de la dimensión de la simple asistencia en el ámbito laboral.