A música apresenta importantes contribuições no desenvolvimento humano, podendo
configurar-se como uma estratégia educativa eficaz. Compreender os seus benefícios pode
contribuir para orientação parental, com ênfase em monitorias positivas dos cuidadores. Na
primeira infância, embora existam diferentes constituições familiares, a mãe ainda tem se
mostrado como principal cuidadora. Entre as diferentes estratégias educativas, observa-se que
as músicas podem contribuir como instrumento lúdico que potencializa o desenvolvimento
infantil. Desse modo, na presente dissertação buscou-se analisar possíveis
associações/correlações entre os estilos parentais maternos, as variáveis sociodemográficas e as
temáticas musicais relatadas por mães. Primeiramente, realizou-se uma revisão sistemática da
literatura para analisar a influência da música na primeira infância, no contexto familiar. A
revisão foi realizada a partir dos periódicos Capes, no período de 2020 a 2023. Foram
selecionados sete estudos, de diferentes países, um deles brasileiro. Os estudos indicaram
contribuições para a interação adulto criança, com impactos positivos para sincronia diádica,
desenvolvimento cognitivo e desenvolvimento socioafetivo. Contudo, como os estudos focaram
a utilização das mídias, indicaram também o uso acima em tempo superior ao indicado para
idade, embora o fizessem com supervisão dos cuidadores. No segundo momento, foi realizado
um estudo de campo, que contou com a participação de 35 mães, de forma presencial (11) e
online (24). As mães participaram de uma entrevista sobre os contextos musicais de seus filhos,
respondendo sobre o comportamento de cantar ou oferecer mídias. Também responderam a um
Inventário de Estilos Parentais de Mães de Bebês (IEPMB). Os dados corroboram os achados
da literatura, indicando a prevalência do comportamento de cantar da maioria das mães.
Também assemelha-se ao fato de oferecer o acesso à telas de forma precoce e em tempo
superior ao esperado. Selecionam as temáticas, com predomínio de músicas infantis, indicando
uma preocupação em relação à supervisão dos conteúdos. Os indicadores de práticas parentais positivas foram significativamente superiores aos de monitoria negativa. Porém, houve
correlação entre monitoria negativa e maior tempo de oferta de telas aos filhos, indicando
necessidade de orientação parental. A orientação sobre a importância do canto na primeira
infância, e o desenvolvimento de estratégias junto às famílias mais numerosas e com cuidadores
com menos escolaridade foram necessidades identificadas que poderão orientar futuras
intervenções.