Visando discutir as concepções de professores de Matemática acerca dos termos obstáculos, erros e dificuldades desenvolvidos por estudantes durante o processo de aprendizagem da Álgebra, o presente estudo tem como objetivo responder às seguintes perguntas de partida norteadora dessa pesquisa: Quais as concepções dos professores de Matemática sobre os termos: obstáculo, erro e dificuldade? Quais razões e/ou origens dos erros são identificadas pelos professores de matemática no ensino da Álgebra? Para alcançarmos nosso objetivo, buscamos identificar e analisar tais concepções a partir da aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas e individuais com cada professor participante. Os referenciais teóricos adotados nesta pesquisa foram fundamentados nas obras de Gaston Bachelard (1996), que é reconhecido como filósofo e epistemólogo por sua contribuição à introdução da noção de obstáculo epistemológico no ensino da Matemática. Além disso, também foram consideradas as contribuições de Guy Brousseau (1996), um matemático francês notável por suas investigações na didática matemática, especialmente na Teoria das Situações Didáticas, e Gérard Vergnaud (1990), um psicólogo e matemático cujas pesquisas foram fundamentais para o desenvolvimento da Teoria dos Campos Conceituais. Em relação ao questionário aplicado, ele foi dividido em três partes: Parte A, que buscou analisar o perfil do docente; Parte B, em que tivemos como base os trabalhos de Gagatsis e Kyriakides (2000) como inspiração para elaboração das perguntas fechadas, por meio de uma escala likert, para compreender as razões dos erros dos estudantes na visão dos professores. E parte C, que consistiu em perguntas abertas (discursivas), nas quais tivemos como base o trabalho de Kikuchi (2012) para compreender, a partir dos modelos de respostas dos estudantes em questões que envolvem a Álgebra, como os professores identificam ou não as razões e origens dos erros e das possíveis dificuldades dos estudantes. Em relação à entrevista semiestruturada, as respostas foram identificadas e separadas em unidades de análise e, posteriormente, foram categorizadas a partir da análise de conteúdo segundo Bardin (2002). Os resultados da análise dos dados indicaram que, de maneira geral, os docentes não estão familiarizados com o conceito de obstáculo, ou seja, desconhecem que o obstáculo é inerente ao próprio conhecimento e atribuem às razões para a ocorrência dos erros ao estudante, acreditando que as principais razões estão atreladas à falta de conhecimento, compreensão, interpretação e ao domínio dos conteúdos básicos da matemática.